quarta-feira, 23 de maio de 2012


Caros amigos

Como vocês já devem saber, existem na região alguns movimentos sociais pautando melhorias muito importantes. Entre eles destacamos duas lutas associadas, uma pela implantação da tão prometida ciclovia ao longo das avenidas Elizeu de Almeida e Pirajussara, ligando o Metrô Butantã, até o Taboão; a outra é pela criação de um parque ecológico e esportivo no terreno da Chácara do Jockey, na Vila Sônia.

Nessa sexta feira, 25/05, a partir das 16hs, em frente à sede da PMSP, haverá uma concentração de ciclistas, acompanhados de uma comissão de lideranças e população locais, inclusive o padre da paróquia Nossa Sra. de Fátima, a mais próxima à Chácara do Jockey, para entregar ao Prefeito Gilberto Kassab um abaixo assinado, promovido por várias lideranças mas principalmente pelas igrejas da região, pedindo pela efetivação dessas duas importantes promessas.

A ciclovia é uma promessa de vários anos, com projeto arquitetônico apresentado oficialmente em cerimônias há pelo menos 5 anos, como se fosse ficar pronto para esses dias. Consta do Plano Diretor Regional e era uma das poucas propostas aceitas pela população no projeto da Operação Urbana Vila Sônia, contestada duas vezes pelo Ministério Público por não cumprir a exigência de audiências públicas (de verdade) e por contrariar os anseios da população.

A transformação da área da Chácara do Jockey em parque público é igualmente uma das poucas coisas que se salvam do rechaçado plano da Operação Urbana Vila Sônia; consta do Plano de Metas da atual gestão e está incluída na proposta dos 100 Parques. Foi prometida e alardeada pelo então secretário de espeortes, Walter Feldman, em visita ao local e na presença de lideranças sociais e grande contingente de população. Nessa ocasião o secretário ligou e colocou no viva voz o secretário do verde e do meio ambiente, Eduardo Jorge, e o prefeito Gilberto Kassab.

A doação da área da Chácara à cidade para a implantação do parque estava dada como certa sendo inclusive motivo de algumas reportagens. O processo de doação passou por todas as secretarias e órgãos responsáveis, chegando até o gabinete do prefeito. A doação seria feita contra o abatimento ou perdão da dívida do Jockey Clube e era apontada como a forma mais rápida e fácil para tirar o projeto do papel e efetivar a promessa. A desapropriação do terreno do parque estava portanto paga. Porém, como se não soubesse nada do assunto, a prefeitura renegociou a dívida, com um desconto de 25% (cerca de 53 milhões de reais) e o restante a ser pago em 120 meses. Feito isso a população ficará sem o parque, cujo Decreto de Utilidade Pública expia em março do ano que vem, ou irá pagar com seus impostos duas vezes uma fortuna pelo que já estava pago.

Em função de tudo isso a população se mobiliza e irá realizar nessa sexta o ato de entrega dos abaixo assinados ao prefeito.

Caso vocês se interessem em saber mais, estão convidados à reunião de coordenação do movimento, amanhã, às 20hs, na igreja Nossa Senhora de Fátima, à Rua Nossa Senhora do Monte Serrat, 316 (altura do nº 4680 da Av. Francisco Morato), no bairro Ferreira. Seria interessante também vocês entrevistarem o Padre Darci: 3751-0200.

Segue o cartaz de divulgação dos ciclistas (anexo) e a carta aberta à população (abaixo, no corpo do texto.

Atenciosamente
Pedro Guasco
7254-4406

Carta aos moradores da Vila Sônia

            Nós das entidades sociais há anos lutamos contra a verticalização desenfreada do bairro ao sabor do interesse das incorporadoras. Há anos lutamos pela construção da prometida ciclovia na Avenida Eliseu de Almeida e na Avenida Pirajussara. E também temos lutado nos últimos meses para transformar a antiga Chácara do Jockey em parque público municipal, o parque das crianças, com áreas de lazer, pistas de caminhada e corrida, diversidade botânica e outras melhorias que um ambiente desse tipo possa conter.
            Certamente existem muitas outras questões prementes na região, esperando por uma solução por parte das autoridades, mas temos nos concentrado ultimamente nessas três demandas, que são pontos comuns nas visões das lideranças comunitárias e de todas as pessoas que procuram fazer da Vila Sônia um espaço com maior qualidade de vida e tentam impedir a deterioração do pouco que temos de valioso nesse sentido.
            Parque. Dívidas praticamente impagáveis do Jockey em relação ao fisco municipal fizeram com que fossem iniciadas negociações para que o terreno da chamada Chácara do Jockey retornasse à Prefeitura. Contávamos com ação urgente do poder público para viabilizar a utilização daquela área como parque público. Ocorre que recentemente consta que o Jockey Clube vem tentando renegociar a dívida e, assim, manter a concessão do terreno. A Prefeitura, que já havia firmado compromisso com a criação do parque, não pode, mais uma vez, através de procrastinação, deixar os munícipes em expectativa frustrada.
            Ciclovia. No final da década passada a ciclovia da Eliseu de Almeida foi prometida aos moradores da região, como um elo entre a divisa do município de Taboão da Serra e as imediações da Cidade Universitária, o que hoje significaria ligação entre os limites da Vila Sônia e a Estação Butantã do Metrô. A obra deveria ter sido finalizada antes mesmo da inauguração da Estação Butantã, mas nada foi feito além de promessas. Temos de nos mobilizar para conseguir essa importante via de transporte.
Verticalização. A Vila Sônia foi, décadas atrás, área de fazendas de gado e de sítios de plantio de hortaliças, fornecendo laticínios e verduras ao bairro de Pinheiros e a outros mais ao norte. Ninguém aqui advoga o retorno àqueles tempos bucólicos, mas não queremos ir para o extremo oposto, em que torres e mais torres sejam construídas sem quaisquer critérios urbanísticos norteadores a não ser o lucro. Grandes condomínios têm sido erguidos e os novos moradores, em sua maioria, não estabelecem vínculos de vivência com o bairro, e o usam apenas como moderna cidade-dormitório. Os antigos moradores vêm sendo engolidos pelas sombras dos altos prédios e os sinais de telecomunicações têm-se tornado cada vez mais precários por causa dessas novas barreiras. Os que planejam o adensamento demográfico através da construção de numerosos prédios residenciais não levam em conta a imensa quantidade de automóveis que terão de conviver com os já existentes, inviabilizando uma vida saudável no trânsito. Queremos impedir a aplicação da Operação Urbana Vila Sônia. Queremos a discussão aberta de um novo Plano Diretor Estratégico para a cidade de São Paulo.

       S. Paulo, 25/04/12 - OCDC

Organização Cultural de Defesa da Cidadania
Movimento Butantã Pode
Rede Butantã de Entidades e Forças Sociais
Entidades coligadas.

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